Se me fosse concedido fazer umas poucas perguntas e descobrir a verdade acerca delas, que perguntas faria?
A primeira coisa que me veio à mente foram as perguntas da amnésia. Quem sou eu? Onde estou? De onde vim? Pra onde vou?
Mal ou bem, de alguma forma eu sei responder a isso. Sou o André, eu me conheço: homem, músico, engenheiro, metido a filósofo. Estou aqui, com problemas, no Rio de Janeiro - Brasil, nesse mundo tão complicado. Nasci na família do Tio Fernando e da Tia Telma, em Fortaleza. Pra onde vou não sei. Mas a vida, como quer que eu a viva, acabará na morte.
Pensando nessas perguntas, vieram outras, as quais não sei responder. Qual o sentido de tudo isso? Sim, o sentido da vida. Que tenho que fazer pra ser plenamente feliz? Isso é possível? E depende de mim? O que é exatamente a minha existência? Ela acaba com a minha morte ou se prolonga de alguma forma?
Se ao menos me fosse concedido saber umas poucas respostas... A chave de tudo.
quarta-feira, julho 06, 2005
terça-feira, julho 05, 2005
A verdade está lá fora
"Que é a verdade?" (Pôncio Pilatos)
Uma consequência da realidade objetiva das coisas: se as coisas são como são, existe uma verdade a respeito delas. A verdade de uma coisa é o que ela é. Saber a verdade sobre algo consiste em saber exatamente o que esse algo é e o que esse algo não é.
Primeiramente, note que podemos nos enganar. Posso errar na minha compreensão do mundo, considerando verdadeira uma proposição falsa e vice-versa. Isso é possível porque dentro da minha cabeça não entram as coisas como são, mas apenas conceitos imperfeitos (que são sempre menores do que a coisa, visões pariciais da realidade), captados através das experiências que tive. São como fotografias bidimensionais tiradas de alguns ângulos, a partir das quais eu tento, mentalmente, idealizar a coisa em terceira dimensão.
- Sim, eu posso me enganar a respeito da verdade.
Mas as coisas continuam sendo o que são, independentemente tanto da minha vontade quanto da minha compreensão. Todas as minhas idéias a respeito do mundo, objetivamente, poderiam ser qualificadas como verdadeiras ou falsas. E o gabarito é simplesmente esse: a realidade como ela é.
Como conheço? Como aprendo? -Capto impressões das coisas, e mentalmente formulo proposições. Mas minhas impressões não são perfeitas. Longe disso. Eu nunca esgoto a realidade. Há sempre algo mais para se aprender sobre qualquer coisa. O processo de conhecimento é gradativo, e, até onde a experiência mostra, é também ilimitado, porque a realidade é riquíssima e parece não ter limites. -Quem se atreve e dizer que sabe tudo, nem que seja sobre um nadica de nada? -Só um completo ignorante.
Porque a apreensão da realidade se faz de forma gradativa, e como o conhecimento é sempre limitado, note que pode haver maior ou menor grau de verdade no conhecimento que duas pessoas diferentes possuem da mesma coisa, sem que nenhuma das duas possua a verdade completamente, pois a verdade é a profundidade da coisa como ela é; e sem que nenhuma das duas esteja completamente enganada, porque ambas apreenderam algo do seu contato com a realidade.
Por muito que eu pense, formule teorias, pratique esgrima mental e fabrique mil "verdades", se minhas conclusões se afastam da realidade, cometi um erro. Não servem pra nada, pois o mundo é diferente. É a verdade desse mundo diante dos meus olhos que importa.
Uma consequência da realidade objetiva das coisas: se as coisas são como são, existe uma verdade a respeito delas. A verdade de uma coisa é o que ela é. Saber a verdade sobre algo consiste em saber exatamente o que esse algo é e o que esse algo não é.
Primeiramente, note que podemos nos enganar. Posso errar na minha compreensão do mundo, considerando verdadeira uma proposição falsa e vice-versa. Isso é possível porque dentro da minha cabeça não entram as coisas como são, mas apenas conceitos imperfeitos (que são sempre menores do que a coisa, visões pariciais da realidade), captados através das experiências que tive. São como fotografias bidimensionais tiradas de alguns ângulos, a partir das quais eu tento, mentalmente, idealizar a coisa em terceira dimensão.
- Sim, eu posso me enganar a respeito da verdade.
Mas as coisas continuam sendo o que são, independentemente tanto da minha vontade quanto da minha compreensão. Todas as minhas idéias a respeito do mundo, objetivamente, poderiam ser qualificadas como verdadeiras ou falsas. E o gabarito é simplesmente esse: a realidade como ela é.
Como conheço? Como aprendo? -Capto impressões das coisas, e mentalmente formulo proposições. Mas minhas impressões não são perfeitas. Longe disso. Eu nunca esgoto a realidade. Há sempre algo mais para se aprender sobre qualquer coisa. O processo de conhecimento é gradativo, e, até onde a experiência mostra, é também ilimitado, porque a realidade é riquíssima e parece não ter limites. -Quem se atreve e dizer que sabe tudo, nem que seja sobre um nadica de nada? -Só um completo ignorante.
Porque a apreensão da realidade se faz de forma gradativa, e como o conhecimento é sempre limitado, note que pode haver maior ou menor grau de verdade no conhecimento que duas pessoas diferentes possuem da mesma coisa, sem que nenhuma das duas possua a verdade completamente, pois a verdade é a profundidade da coisa como ela é; e sem que nenhuma das duas esteja completamente enganada, porque ambas apreenderam algo do seu contato com a realidade.
Por muito que eu pense, formule teorias, pratique esgrima mental e fabrique mil "verdades", se minhas conclusões se afastam da realidade, cometi um erro. Não servem pra nada, pois o mundo é diferente. É a verdade desse mundo diante dos meus olhos que importa.
segunda-feira, julho 04, 2005
Crise
Estou atrasado. (Felizmente produzo idéias mais rapidamente do que consigo escrever.) Penso, no entanto, que é chegada a hora de uma justificativa mais elaborada. Alice me perguntou, na lata: por que a iniciativa do blog?
Em primeiro lugar, porque passo por uma fase turbulenta. Talvez seja uma crise de maturidade, o que quer que seja, um ponto de inflexão na minha vida. Desapareceu o chão sob os meus pés, minhas convicções foram todas abaladas, minha fé, meus princípios; e agora procuro reconstruir tudo. Do zero, sim. Recuperar-me de uma crise. Sair dessa depressão.
Preciso organizar minhas idéias, e colocá-las por escrito é uma boa forma. Eu gosto de escrever. (E atrás das idéias irá a vida.)
Naturalmente, essas palavras são a ponta de um iceberg. Há muita história por trás delas, há muita reflexão também. Parece que vai tudo bem, o pior já passou.
Busco tantas respostas. Alguém me disse que estou agindo como um ateu racionalista. Fiquei até feliz com isso, pois, se tudo foi destruído, tenho a oportunidade de reconstruir tudo. E pretendo reconstruir algo melhor dessa vez, com a sabedoria da experiência.
“Crise” é uma etapa ou um ciclo, que encerra, conforme o ideograma dessa palavra em chinês, os seguintes ingredientes: risco e oportunidade.
-Aceito o desafio.
Tenho ainda, devo dizer, o desejo de que esta experiência possa ser útil para outros que passem por dificuldades semelhantes.
Uma última palavra, sobre Deus. Ainda não abordei de frente o tema, mas será inevitável. Fui Católico durante meus 28 anos (acho que ainda sou), e tenho arraigado o hábito de dirigir a palavra a Deus. Peço a Deus que não me deixe entrar por caminhos tortuosos nos meus pensamentos, que estes não me conduzam a caminhos mais tortuosos ainda na minha vida. Peço a todos que rezem por mim. Por isso não se pode estranhar que, mesmo tentando ser imparcial, a referência tenha saído algumas vezes até agora. No entanto, honestamente, eu me pergunto se Deus existe.
Um amigo me sugeriu uma oração, que eu achei muito oportuna: Deus, se você existir, que eu te encontre, que eu te ame, e que eu deixe você me amar.
Essa será minha próxima tarefa.
Não sei o que vou encontrar. Mas sei o que quero pra mim. Uma vida boa, no bom sentido da expressão.
Em primeiro lugar, porque passo por uma fase turbulenta. Talvez seja uma crise de maturidade, o que quer que seja, um ponto de inflexão na minha vida. Desapareceu o chão sob os meus pés, minhas convicções foram todas abaladas, minha fé, meus princípios; e agora procuro reconstruir tudo. Do zero, sim. Recuperar-me de uma crise. Sair dessa depressão.
Preciso organizar minhas idéias, e colocá-las por escrito é uma boa forma. Eu gosto de escrever. (E atrás das idéias irá a vida.)
Naturalmente, essas palavras são a ponta de um iceberg. Há muita história por trás delas, há muita reflexão também. Parece que vai tudo bem, o pior já passou.
Busco tantas respostas. Alguém me disse que estou agindo como um ateu racionalista. Fiquei até feliz com isso, pois, se tudo foi destruído, tenho a oportunidade de reconstruir tudo. E pretendo reconstruir algo melhor dessa vez, com a sabedoria da experiência.
“Crise” é uma etapa ou um ciclo, que encerra, conforme o ideograma dessa palavra em chinês, os seguintes ingredientes: risco e oportunidade.
-Aceito o desafio.
Tenho ainda, devo dizer, o desejo de que esta experiência possa ser útil para outros que passem por dificuldades semelhantes.
Uma última palavra, sobre Deus. Ainda não abordei de frente o tema, mas será inevitável. Fui Católico durante meus 28 anos (acho que ainda sou), e tenho arraigado o hábito de dirigir a palavra a Deus. Peço a Deus que não me deixe entrar por caminhos tortuosos nos meus pensamentos, que estes não me conduzam a caminhos mais tortuosos ainda na minha vida. Peço a todos que rezem por mim. Por isso não se pode estranhar que, mesmo tentando ser imparcial, a referência tenha saído algumas vezes até agora. No entanto, honestamente, eu me pergunto se Deus existe.
Um amigo me sugeriu uma oração, que eu achei muito oportuna: Deus, se você existir, que eu te encontre, que eu te ame, e que eu deixe você me amar.
Essa será minha próxima tarefa.
Não sei o que vou encontrar. Mas sei o que quero pra mim. Uma vida boa, no bom sentido da expressão.
domingo, julho 03, 2005
Oração da serenidade
Fiquei contente de saber que as reuniões do Alcólicos Anônimos e de outros grupos semelhantes sempre acabam com a oração da serenidade, que copio:
"Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos, e sabedoria para distinguir umas das outras."
Isso joga uma nova luz sobre o artigo anterior: Revoltar-se ou Conformar-se?. Serenidade, coragem e sabedoria. Fico mesmo muito feliz de ter chegado até aqui. Tanto que transcrevo na íntegra a minha referência:
O QUE É A SERENIDADE?
O termo é definido do varias maneiras: a calma, o sossego, a paz, e tranqüilidade, a paz da mente, o equilíbrio emocional, o estado não perturbado, o sangue frio e o domínio de si. Contudo, do ponto do vista prático, talvez a melhor definição seria “a capacidade de viver em paz com os problemas não resolvidos".
A Oração da Serenidade fala em “aceitar as coisas que não podemos modificar”. A aceitação não deve ser confundida com a indiferença. A indiferença deixa do distinguir entre as coisas que podem e as que não podem ser mudadas. A indiferença paralisa a iniciativa. A aceitação libera a iniciativa, aliviando-a das cargas impossíveis. A aceitação é um ato do livre arbítrio, mas, para ser eficaz requer a coragem moral de se persistir apesar do problema imutável. A aceitação liberta o aceitante, rompendo-lhe as cadeias da autopiedade. Uma vez aceito o que não pode ser modificado, a gente fica livre para empenhar-se em novas atividades.
Foi dito que uma mente imatura procura um mundo idealístico. Queiramos ou não, precisamos encarar o mundo da realidade e aceitar a vida tal qual ela é, com todas as suas crueldades e inconsistências. Talvez, em ultima análise, o inicio da sabedora esteja na simples admissão de que as coisas nem sempre são como queríamos que fossem. E que nós mesmos somos imperfeitos e não tão bondosos e trabalhadores quanto gostaríamos do ser.
sábado, julho 02, 2005
Vale de lágrimas
Contextuo: com a rebelião das máquinas veio a guerra, e nós humanos, numa medida desesperada, escurecemos o céu para privá-las da sua principal fonte de energia: o Sol. Provavelmente, com isso, toda a biosfera foi afetada. O homem, intelecto flexível, adaptou-se para sobreviver às novas condições climáticas. E as máquinas, inteligentes e portanto também capazes de adaptação, encontraram uma nova fonte de energia no próprio homem. A espécie humana passou então a ser cultivada pelas máquinas em grandes fazendas cibernéticas. E para manter cada indivíduo aprisionado à planta das usinas bioelétricas, as máquinas criaram a Matrix: um sistema de realidade virtual neuro-iterativo, conectado diretamente a todos os sentidos humanos desde sua artificial concepção até a morte.
O resultado é uma prisão para a mente humana. As pessoas cultivadas vivem, aparentemente, como se estivessem no "auge da civilização humana", no tempo presente, antes da descoberta da inteligência artificial. Já nascem conectadas à Matrix, têm vidas aparentemente normais, não tendo como saber que na verdade são prisioneiras de um sistema literalmente desumano.
A história suscita muitas reflexões filosóficas. Mas detenho-me agora no diálogo a que me referia.
Smith revelava a Morpheus que nas primeiras versões da Matrix, as máquinas produziram um mundo perfeito, sem problemas, sem sofrimento, sem dor. Foi um desastre. Perderam "safras" inteiras. Dizia:
"Did you know that the first Matrix was designed to be a perfect human world? Where none suffered, where everyone would be happy. It was a disaster. No one would accept the program. Entire crops were lost. Some believed we lacked the programming language to describe your perfect world. But I believe that, as a species, human beings define their reality through suffering and misery. The perfect world was a dream that your primitive cerebrum kept trying to wake up from. Which is why the Matrix was re-designed to this: the peak of your civilization."
A ficção deliciosa me faz lembrar que todos sofrem. Faz parte da vida o sofrer, de uma forma imperativa, necessária, avassaladora. Ricos e pobres, jovens e velhos, sãos e enfermos, lá e cá. O mundo é um vale de lágrimas, como afirmam os cristãos ao saudarem sua Rainha.
sexta-feira, julho 01, 2005
Apenas Ouça
Virgem
(Marina Lima)
As coisas não precisam de você
Quem disse que eu tinha que precisar
As luzes brilham no Vidigal
E não precisam de você
Os dois irmãos também não ..... precisam
O hotel Marina quando acende
Não é por nós dois
Nem lembra o nosso amor
Os inocentes do Leblon
Esses nem sabem de você (Não sabem de você, nem vão querer saber)
E o farol da ilha só gira agora (E o farol da ilha procura agora)
Por outros olhos e armadilhas
Outros olhos e armadilhas
Eu disse!
Outros olhos (e armadilhas)....
As coisas não precisam de você
(Marina Lima)
As coisas não precisam de você
Quem disse que eu tinha que precisar
As luzes brilham no Vidigal
E não precisam de você
Os dois irmãos também não ..... precisam
O hotel Marina quando acende
Não é por nós dois
Nem lembra o nosso amor
Os inocentes do Leblon
Esses nem sabem de você (Não sabem de você, nem vão querer saber)
E o farol da ilha só gira agora (E o farol da ilha procura agora)
Por outros olhos e armadilhas
Outros olhos e armadilhas
Eu disse!
Outros olhos (e armadilhas)....
As coisas não precisam de você
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