Tudo é questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranqüilo.
quinta-feira, março 16, 2006
sábado, março 11, 2006
Pedras de tropeço
Outra coisa que não me sai da cabeça ultimamente. Que são as tentações? Por que estamos sujeitos a elas? Por que nossos desejos não são sempre bons? O que há de errado com nossa bússola interna, que nos indica a direção errada?
"Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal."
Nota: Entendi agora que a conjunção adversativa na oração subordinada que encerra o Pai Nosso significa que o "cair em tentação" ata-nos, prende-nos ao mal.
O que queremos e o que pedimos é não cair em tentação, mas, pelo contrário, libertar-nos do mal.
O mal é cair em tentação.
Ou melhor, a tentação é o próprio desejo do nosso próprio mal.
PS. E o que há de errado com nossa bússola interna, que nos indica a direção errada?
"Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal."
Nota: Entendi agora que a conjunção adversativa na oração subordinada que encerra o Pai Nosso significa que o "cair em tentação" ata-nos, prende-nos ao mal.
O que queremos e o que pedimos é não cair em tentação, mas, pelo contrário, libertar-nos do mal.
O mal é cair em tentação.
Ou melhor, a tentação é o próprio desejo do nosso próprio mal.
PS. E o que há de errado com nossa bússola interna, que nos indica a direção errada?
Único caminho, eu disse?
Relendo o que escrevi, acho que vale a pena afirmar que, ao falar de um único caminho, não queremos ser demasiado restritivos.
A experiência é necessária, mas não se trata de ir vivendo a vida sem dar ouvidos ao que os mais experientes têm a dizer. Devemos procurar aconselhamento, em atitude sincera de quem honestamente quer acertar. Não quis levantar a bandeira do "ouça o que eu digo, não ouça ninguém".
Isso é lógico. O que Graograman fez foi dar um primeiro conselho, e o que eu estou tentando fazer é receber bem esse conselho e passá-lo adiante. E você, leitor, pelo visto, está fazendo o mesmo que eu.
A experiência é necessária, mas não se trata de ir vivendo a vida sem dar ouvidos ao que os mais experientes têm a dizer. Devemos procurar aconselhamento, em atitude sincera de quem honestamente quer acertar. Não quis levantar a bandeira do "ouça o que eu digo, não ouça ninguém".
Isso é lógico. O que Graograman fez foi dar um primeiro conselho, e o que eu estou tentando fazer é receber bem esse conselho e passá-lo adiante. E você, leitor, pelo visto, está fazendo o mesmo que eu.
O perigo dos maus desejos
Ainda sobre as postagens anteriores.
Importa descobrir o grande segredo, que inclui saber sempre que caminho tomar, escolher o melhor pra nós em cada situação concreta.
Alguma experiência da vida é necessária. Por isso não há outro caminho senão o dos próprios desejos. "Isso me deixa bem, aquilo me deixa mal..."
Entretanto, há o grande perigo advertido pelo Graograman: "Esta é a mais perigosa de todas as jornadas. Ela requer a maior honestidade e vigilância, porque nao há outra jornada na qual seja tão fácil se perder para sempre."
No caminho dos desejos, é preciso estar muito atento ao que realmente nos convém. Frequentemente a satisfação de um desejo é tão doce na boca quanto amarga no ventre. E a burrice humana perde muito facilmente a capacidade de estabelecer aí uma relação de causa e efeito. Um desejo inconveniente pode confundir e cegar, de modo que se perde para sempre o caminho do nosso maior desejo. Entra-se num caminho sem volta, sem se dar conta, que conduz à frustração existencial.
Não raras vezes a atitude de quem chega nesse ponto consiste na negação de que existe uma felicidade ao alcance do homem. Cinismo.
Lembro de uma resposta de Frank Sinatra - The Voice - ao comemorar seus 80 anos de vida, numa entrevista em que lhe perguntaram se ele se considerava feliz: "Tenho mais dinheiro do que posso gastar. Tive todas as mulheres que quis. Sou famoso, querido, bem recebido em todas as partes do mundo, onde quer que eu vá. No entanto, não sou feliz, e nem sequer acredito que se possa chegar a sê-lo."
Triste fim.
Importa descobrir o grande segredo, que inclui saber sempre que caminho tomar, escolher o melhor pra nós em cada situação concreta.
Alguma experiência da vida é necessária. Por isso não há outro caminho senão o dos próprios desejos. "Isso me deixa bem, aquilo me deixa mal..."
Entretanto, há o grande perigo advertido pelo Graograman: "Esta é a mais perigosa de todas as jornadas. Ela requer a maior honestidade e vigilância, porque nao há outra jornada na qual seja tão fácil se perder para sempre."
No caminho dos desejos, é preciso estar muito atento ao que realmente nos convém. Frequentemente a satisfação de um desejo é tão doce na boca quanto amarga no ventre. E a burrice humana perde muito facilmente a capacidade de estabelecer aí uma relação de causa e efeito. Um desejo inconveniente pode confundir e cegar, de modo que se perde para sempre o caminho do nosso maior desejo. Entra-se num caminho sem volta, sem se dar conta, que conduz à frustração existencial.
Não raras vezes a atitude de quem chega nesse ponto consiste na negação de que existe uma felicidade ao alcance do homem. Cinismo.
Lembro de uma resposta de Frank Sinatra - The Voice - ao comemorar seus 80 anos de vida, numa entrevista em que lhe perguntaram se ele se considerava feliz: "Tenho mais dinheiro do que posso gastar. Tive todas as mulheres que quis. Sou famoso, querido, bem recebido em todas as partes do mundo, onde quer que eu vá. No entanto, não sou feliz, e nem sequer acredito que se possa chegar a sê-lo."
Triste fim.
sexta-feira, março 10, 2006
Ainda os tais desejos
Sobre a postagem anterior...
O que todos realmente querem? Ser felizes. Mas a felicidade não está ao alcance da mão, é antes um caminho que se percorre de onde estamos até esse ideal.
Por que nada é mais difícil do que fazer o que realmente queremos? Porque muitas vezes somos enganados pelos nossos próprios desejos, que nos puxam pro lado errado, e o resultado frustra mais do que contenta. Nada é mais difícil do que escolher sempre o que é verdadeiramente melhor pra nós.
Este é o nosso mais profundo segredo, o qual nós próprios ignoramos.
Como descobri-lo? Percorrendo o caminho dos desejos. Pois alguma experiência é necessária para se aprender a escolher bem. É possível avaliar de alguma forma um caminho que se abre diante de nós sem ter que percorrê-lo até o fim.
Uma experiênicia, e uma avaliação: no final das contas, isso realmente valeu a pena? Isso foi realmente bom? Foi realmente bonito? Me fez mais feliz? Fez de mim uma pessoa melhor? Vale a pena entrar por esse caminho até as últimas consequências?
E o perigo? Do perigo eu falo depois.
O que todos realmente querem? Ser felizes. Mas a felicidade não está ao alcance da mão, é antes um caminho que se percorre de onde estamos até esse ideal.
Por que nada é mais difícil do que fazer o que realmente queremos? Porque muitas vezes somos enganados pelos nossos próprios desejos, que nos puxam pro lado errado, e o resultado frustra mais do que contenta. Nada é mais difícil do que escolher sempre o que é verdadeiramente melhor pra nós.
Este é o nosso mais profundo segredo, o qual nós próprios ignoramos.
Como descobri-lo? Percorrendo o caminho dos desejos. Pois alguma experiência é necessária para se aprender a escolher bem. É possível avaliar de alguma forma um caminho que se abre diante de nós sem ter que percorrê-lo até o fim.
Uma experiênicia, e uma avaliação: no final das contas, isso realmente valeu a pena? Isso foi realmente bom? Foi realmente bonito? Me fez mais feliz? Fez de mim uma pessoa melhor? Vale a pena entrar por esse caminho até as últimas consequências?
E o perigo? Do perigo eu falo depois.
sábado, março 04, 2006
O Caminho dos Desejos
Alguns dias depois eles tiveram outra séria conversa.Bastian mostrou ao Leão a inscrição no verso do amuleto. "O que você acha que significa?" perguntou ele. "FAÇA O QUE VOCÊ DESEJA. Isso deve querer dizer que eu posso fazer qualquer coisa que eu sentir vontade. Você não acha?"
De repente o rosto de Graograman ficou assustadoramente grave, e seus olhos brilharam. "Não," disse ele em sua voz profunda e retumbante. "Isso significa que você deve fazer o que você realmente e verdadeiramente quer. E nada é mais difícil."
"O que eu realmente e verdadeiramente quero? O que você quer dizer com isso?"
"É o seu mais profundo segredo, e nem mesmo você o conhece."
"Como eu posso descobrir?"
"Indo pelo caminho dos desejos, de um para outro, do primeiro ao último. Isso irá levá-lo ao que você realmente e verdadeiramente deseja."
"Isso não parece tão difícil," disse Bastian.
"Esta é a mais perigosa de todas as jornadas."
"Por que?" perguntou Bastian. "Eu não estou com medo."
"Não se trata disso," rugiu Graograman. "Ela requer a maior honestidade e vigilância, porque nao há outra jornada na qual seja tão fácil se perder para sempre."
"Você quer dizer que nossos desejos nem sempre são bons?" Perguntou Bastian.
O leão golpeou com a calda a areia. Suas orelhas se abaixaram, ele torceu o focinho e seus olhos encheram-se de fogo. Involuntariamente Bastian se encolheu quando a voz de Graograman novamente fez a terra tremer: "O que você sabe sobre desejos? Como você poderia saber o que é bom e o que não é?"
Nos dias seguintes Bastian pensou bastante no que a Morte Multicor havia dito. Mas há certas coisas que nós não podemos entender simplesmente pensando nelas, mas apenas por experiência. Somente muito tempo depois, após todo tipo de aventuras, ele se lembrou das palavras que Graograman lhe dissera e começou a entendê-las.
—A História sem fim, de Michael Ende. Capítulo XV – Graograman, a Morte Multicor. Tradução espontânea minha mesmo.
quarta-feira, março 01, 2006
The way of the wishes
Some days later they had another serious talk.Bastian had shown the lion the inscription on the reverse side of the Gem. "What do you suppose it means?" he asked. "'DO WHAT YOU WISH.' That must mean I can do anything I feel like. Don't you think so?"
All at once Grograman's face looked alarmingly grave, and his eyes glowed."No," he said in his deep, rumbling voice. "It means that you must do what you really and truly want. And nothing is more difficult."
"What I really and truly want? What do you mean by that?"
"It's your own deepest secret and you yourself don't know it."
"How can I find out?"
"By going the way of your wishes from one to another, from first to last. It will take you to what you really and truly want."
"That doesn't sound so hard," said Bastian.
"It is the most dangerous of all journeys."
"Why?" Bastian asked. "I'm not afraid."
"That isn't it," Grograman rumbled. "It requires the greatest honesty and vigilance, because there's no other journey on which it's so easy to lose yourself forever."
"Do you mean because our wishes aren't always good?" Bastian asked.
The lion lashed the sand he was lying on with his tail. His ears lay flat, he screwed up his nose, and his eyes flashed fire. Involuntarily Bastian ducked when Grograman's voice one again made the Earth temble: "What do you know about wishes? How would you know what's good and what isn't?"
In the days that followed Bastian thought a good deal about what the Many-Coloured Death had said. There are some things, however, that we cannot fathom by thinking about them, but only by experience. So it was not until much later, after all manner of adventures, that he thought back on Graograman´s words and began to understand them.
—The Neverending Story, by Michael Ende. Chapter XV – Graograman, the Many-Colored Death.
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