quarta-feira, julho 06, 2005

Que perguntas faria?

Se me fosse concedido fazer umas poucas perguntas e descobrir a verdade acerca delas, que perguntas faria?

A primeira coisa que me veio à mente foram as perguntas da amnésia. Quem sou eu? Onde estou? De onde vim? Pra onde vou?

Mal ou bem, de alguma forma eu sei responder a isso. Sou o André, eu me conheço: homem, músico, engenheiro, metido a filósofo. Estou aqui, com problemas, no Rio de Janeiro - Brasil, nesse mundo tão complicado. Nasci na família do Tio Fernando e da Tia Telma, em Fortaleza. Pra onde vou não sei. Mas a vida, como quer que eu a viva, acabará na morte.

Pensando nessas perguntas, vieram outras, as quais não sei responder. Qual o sentido de tudo isso? Sim, o sentido da vida. Que tenho que fazer pra ser plenamente feliz? Isso é possível? E depende de mim? O que é exatamente a minha existência? Ela acaba com a minha morte ou se prolonga de alguma forma?

Se ao menos me fosse concedido saber umas poucas respostas... A chave de tudo.

terça-feira, julho 05, 2005

A verdade está lá fora

"Que é a verdade?" (Pôncio Pilatos)

Uma consequência da realidade objetiva das coisas: se as coisas são como são, existe uma verdade a respeito delas. A verdade de uma coisa é o que ela é. Saber a verdade sobre algo consiste em saber exatamente o que esse algo é e o que esse algo não é.

Primeiramente, note que podemos nos enganar. Posso errar na minha compreensão do mundo, considerando verdadeira uma proposição falsa e vice-versa. Isso é possível porque dentro da minha cabeça não entram as coisas como são, mas apenas conceitos imperfeitos (que são sempre menores do que a coisa, visões pariciais da realidade), captados através das experiências que tive. São como fotografias bidimensionais tiradas de alguns ângulos, a partir das quais eu tento, mentalmente, idealizar a coisa em terceira dimensão.

- Sim, eu posso me enganar a respeito da verdade.

Mas as coisas continuam sendo o que são, independentemente tanto da minha vontade quanto da minha compreensão. Todas as minhas idéias a respeito do mundo, objetivamente, poderiam ser qualificadas como verdadeiras ou falsas. E o gabarito é simplesmente esse: a realidade como ela é.

Como conheço? Como aprendo? -Capto impressões das coisas, e mentalmente formulo proposições. Mas minhas impressões não são perfeitas. Longe disso. Eu nunca esgoto a realidade. Há sempre algo mais para se aprender sobre qualquer coisa. O processo de conhecimento é gradativo, e, até onde a experiência mostra, é também ilimitado, porque a realidade é riquíssima e parece não ter limites. -Quem se atreve e dizer que sabe tudo, nem que seja sobre um nadica de nada? -Só um completo ignorante.

Porque a apreensão da realidade se faz de forma gradativa, e como o conhecimento é sempre limitado, note que pode haver maior ou menor grau de verdade no conhecimento que duas pessoas diferentes possuem da mesma coisa, sem que nenhuma das duas possua a verdade completamente, pois a verdade é a profundidade da coisa como ela é; e sem que nenhuma das duas esteja completamente enganada, porque ambas apreenderam algo do seu contato com a realidade.

Por muito que eu pense, formule teorias, pratique esgrima mental e fabrique mil "verdades", se minhas conclusões se afastam da realidade, cometi um erro. Não servem pra nada, pois o mundo é diferente. É a verdade desse mundo diante dos meus olhos que importa.

segunda-feira, julho 04, 2005

Crise

Estou atrasado. (Felizmente produzo idéias mais rapidamente do que consigo escrever.) Penso, no entanto, que é chegada a hora de uma justificativa mais elaborada. Alice me perguntou, na lata: por que a iniciativa do blog?

Em primeiro lugar, porque passo por uma fase turbulenta. Talvez seja uma crise de maturidade, o que quer que seja, um ponto de inflexão na minha vida. Desapareceu o chão sob os meus pés, minhas convicções foram todas abaladas, minha fé, meus princípios; e agora procuro reconstruir tudo. Do zero, sim. Recuperar-me de uma crise. Sair dessa depressão.

Preciso organizar minhas idéias, e colocá-las por escrito é uma boa forma. Eu gosto de escrever. (E atrás das idéias irá a vida.)

Naturalmente, essas palavras são a ponta de um iceberg. Há muita história por trás delas, há muita reflexão também. Parece que vai tudo bem, o pior já passou.

Busco tantas respostas. Alguém me disse que estou agindo como um ateu racionalista. Fiquei até feliz com isso, pois, se tudo foi destruído, tenho a oportunidade de reconstruir tudo. E pretendo reconstruir algo melhor dessa vez, com a sabedoria da experiência.

“Crise” é uma etapa ou um ciclo, que encerra, conforme o ideograma dessa palavra em chinês, os seguintes ingredientes: risco e oportunidade.

-Aceito o desafio.

Tenho ainda, devo dizer, o desejo de que esta experiência possa ser útil para outros que passem por dificuldades semelhantes.

Uma última palavra, sobre Deus. Ainda não abordei de frente o tema, mas será inevitável. Fui Católico durante meus 28 anos (acho que ainda sou), e tenho arraigado o hábito de dirigir a palavra a Deus. Peço a Deus que não me deixe entrar por caminhos tortuosos nos meus pensamentos, que estes não me conduzam a caminhos mais tortuosos ainda na minha vida. Peço a todos que rezem por mim. Por isso não se pode estranhar que, mesmo tentando ser imparcial, a referência tenha saído algumas vezes até agora. No entanto, honestamente, eu me pergunto se Deus existe.

Um amigo me sugeriu uma oração, que eu achei muito oportuna: Deus, se você existir, que eu te encontre, que eu te ame, e que eu deixe você me amar.

Essa será minha próxima tarefa.

Não sei o que vou encontrar. Mas sei o que quero pra mim. Uma vida boa, no bom sentido da expressão.

domingo, julho 03, 2005

Oração da serenidade

Fiquei contente de saber que as reuniões do Alcólicos Anônimos e de outros grupos semelhantes sempre acabam com a oração da serenidade, que copio:
"Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos, e sabedoria para distinguir umas das outras."
Isso joga uma nova luz sobre o artigo anterior: Revoltar-se ou Conformar-se?. Serenidade, coragem e sabedoria. Fico mesmo muito feliz de ter chegado até aqui. Tanto que transcrevo na íntegra a minha referência:

O QUE É A SERENIDADE?

O termo é definido do varias maneiras: a calma, o sossego, a paz, e tranqüilidade, a paz da mente, o equilíbrio emocional, o estado não perturbado, o sangue frio e o domínio de si. Contudo, do ponto do vista prático, talvez a melhor definição seria “a capacidade de viver em paz com os problemas não resolvidos".

A Oração da Serenidade fala em “aceitar as coisas que não podemos modificar”. A aceitação não deve ser confundida com a indiferença. A indiferença deixa do distinguir entre as coisas que podem e as que não podem ser mudadas. A indiferença paralisa a iniciativa. A aceitação libera a iniciativa, aliviando-a das cargas impossíveis. A aceitação é um ato do livre arbítrio, mas, para ser eficaz requer a coragem moral de se persistir apesar do problema imutável. A aceitação liberta o aceitante, rompendo-lhe as cadeias da autopiedade. Uma vez aceito o que não pode ser modificado, a gente fica livre para empenhar-se em novas atividades.

Foi dito que uma mente imatura procura um mundo idealístico. Queiramos ou não, precisamos encarar o mundo da realidade e aceitar a vida tal qual ela é, com todas as suas crueldades e inconsistências. Talvez, em ultima análise, o inicio da sabedora esteja na simples admissão de que as coisas nem sempre são como queríamos que fossem. E que nós mesmos somos imperfeitos e não tão bondosos e trabalhadores quanto gostaríamos do ser.

sábado, julho 02, 2005

Vale de lágrimas

Em Matrix, há um diálogo interessante entre Morpheus e Agent Smith.
Contextuo: com a rebelião das máquinas veio a guerra, e nós humanos, numa medida desesperada, escurecemos o céu para privá-las da sua principal fonte de energia: o Sol. Provavelmente, com isso, toda a biosfera foi afetada. O homem, intelecto flexível, adaptou-se para sobreviver às novas condições climáticas. E as máquinas, inteligentes e portanto também capazes de adaptação, encontraram uma nova fonte de energia no próprio homem. A espécie humana passou então a ser cultivada pelas máquinas em grandes fazendas cibernéticas. E para manter cada indivíduo aprisionado à planta das usinas bioelétricas, as máquinas criaram a Matrix: um sistema de realidade virtual neuro-iterativo, conectado diretamente a todos os sentidos humanos desde sua artificial concepção até a morte.

O resultado é uma prisão para a mente humana. As pessoas cultivadas vivem, aparentemente, como se estivessem no "auge da civilização humana", no tempo presente, antes da descoberta da inteligência artificial. Já nascem conectadas à Matrix, têm vidas aparentemente normais, não tendo como saber que na verdade são prisioneiras de um sistema literalmente desumano.

A história suscita muitas reflexões filosóficas. Mas detenho-me agora no diálogo a que me referia.

Smith revelava a Morpheus que nas primeiras versões da Matrix, as máquinas produziram um mundo perfeito, sem problemas, sem sofrimento, sem dor. Foi um desastre. Perderam "safras" inteiras. Dizia:

"Did you know that the first Matrix was designed to be a perfect human world? Where none suffered, where everyone would be happy. It was a disaster. No one would accept the program. Entire crops were lost. Some believed we lacked the programming language to describe your perfect world. But I believe that, as a species, human beings define their reality through suffering and misery. The perfect world was a dream that your primitive cerebrum kept trying to wake up from. Which is why the Matrix was re-designed to this: the peak of your civilization."

A ficção deliciosa me faz lembrar que todos sofrem. Faz parte da vida o sofrer, de uma forma imperativa, necessária, avassaladora. Ricos e pobres, jovens e velhos, sãos e enfermos, lá e cá. O mundo é um vale de lágrimas, como afirmam os cristãos ao saudarem sua Rainha.

sexta-feira, julho 01, 2005

Sobre a música que acabamos de ouvir

"Eu não sou o umbigo do mundo."

Apenas Ouça

Virgem
(Marina Lima)

As coisas não precisam de você
Quem disse que eu tinha que precisar
As luzes brilham no Vidigal
E não precisam de você
Os dois irmãos também não ..... precisam
O hotel Marina quando acende
Não é por nós dois
Nem lembra o nosso amor
Os inocentes do Leblon
Esses nem sabem de você (Não sabem de você, nem vão querer saber)
E o farol da ilha só gira agora (E o farol da ilha procura agora)
Por outros olhos e armadilhas
Outros olhos e armadilhas
Eu disse!
Outros olhos (e armadilhas)....
As coisas não precisam de você

quinta-feira, junho 30, 2005

Sofrimento

Ouvia certa vez o genial poeta e filósofo Bruno Tolentino comentar que, se não me engano, Nélida Pignon lhe havia revelado, numa frase de profundidade insuspeitada, que no Horto das Oliveiras está plasmada toda a nossa condição humana. Bruno falava de realismo, ao apresentar seu último trabalho: O Mundo como Idéia.

Comento: no Horto das Oliveiras, está o Homem que chora e pede a Deus, num último recurso, que as coisas sejam diferentes, por não podê-las suportar como se apresentam.

Refletindo sobre isso, concluí que o que tenho friamente chamado de inadaptação entre o eu e a realidade consiste essencialmente no problema do sofrimento.

quarta-feira, junho 29, 2005

Revoltar-se ou Conformar-se?

Escrevi um artigo grandão sobre revolta e conformismo, que são duas formas extremas de lidar com a inadaptação do eu à realidade. Aí na hora de postar deu pau e perdi o que escrevera. Inconformado, reescrevo.

O conformismo me parece ser a aceitação cega das coisas como supostamente são, como se essas não pudessem ser modificadas.

É passividade triste e derrotada. Como escreveu Thoreau, a maioria das pessoas passa a vida num calmo desespero. Na letra de Time, Pink Floyd: "hanging on in quiet desesperation" cai melhor. É assim, que se há de fazer?

Por outro lado, a revolta consiste numa energia impetuosa orientada a atacar (não necessariamente resolvendo) uma inadequação entre a realidade e o eu, modificando uma ou ambas as partes desse binômio.

O inconformismo é portanto bom, tratando-se de uma energia transformadora, capaz de mudar o mundo e a nós mesmos.

A questão está em outro ponto. O que precisa mudar? Qual o foco do problema? -Isso é ainda mais difícil de responder, se repararmos que a revolta, não raras vezes, se faz acompanhar pela paixão da ira, cegando ou ofuscando o indivíduo. Turva-se a visão, para onde atirar?

Provavelmente, o alvo do problema não se encontra realmente polarizado, mas sim distribuído em proporções desconhecidas entre as duas partes: o eu e o "alter", eu as outras coisas. -E quão difícil é discernir! O quanto eu preciso mudar e o quanto o mundo precisaria mudar. Mais ainda: mudando a mim mesmo, quanto posso mudar do mundo ao meu redor para que se resolva essa questão?

Conhece-te a ti mesmo, alertava o oráculo de delfos. Aqui está a chave para todos os problemas pessoais. Ah, se nos conhecêssemos perfeitamente. É um sonho distante, mas que vale a pena perseguir. Por isso, a busca. Por isso, filosofia.

terça-feira, junho 28, 2005

Por que???

As coisas são como são. Mas por que?
Por que? Procuro uma causa, um sentido, alguma orientação racional que me faça compreender melhor a implacável realidade.
-Por que nascer, viver e morrer?

(Refigio-me no silêncio.)

Voltando ao Realismo

Onde estávamos? Ah, sim, as coisas são o que são.
Eu não posso fazer com que tudo seja diferente com um simples ato da minha vontade. Então que fazer? Simplesmente adaptar-se.
Adaptação. Segundo Darwin, as espécies que se sobressaem não são as mais fortes, mas as mais adaptadas.
E como o homem se adapta? Usando inteligência, imaginação e criatividade para modificar, no que for possível, aquilo que está ao seu alcance.
Só posso modificar as coisas de maneira imperfeita parcial, e na medida em que atuo sobre as mesmas.
Atuar. Agir. Fazer.
Mas não quero com isso jamais significar que pensar é inútil. É necessário. No pensamento se projeta a realidade, planeja-se o futuro com dados do presente e do passado. E pensar é também atuar sobre mim.

Em círculos


Andar andar
Correr correr
Sem jamais parar
Sem saber porque

(Gravura do Echer)

domingo, junho 26, 2005

Teoria do conhecimento

O que eu percebo do mundo por acaso é igual ao que os outros percebem? Quem me garante? Não dá pra saber. Mas como não tenho acesso a essas possíveis outras visões pessoais e diversificadas do mesmo mundo, tenho que supor que não pode ser muito diferente de pessoa pra pessoa. Se fosse, nem sequer conseguiríamos nos comunicar. (Talvez por isso os loucos sejam incompreendidos...)

Um ponto de partida realista

Que sou eu e que são as coisas ao meu redor? Por acaso o mundo sou eu e mais seis bilhões de meros coadjuvantes, como às vezes penso?

Um começo. Eu tenho certeza de que eu existo. Estou falando comigo mesmo, estou escrevendo meus pensamentos por vontade própria. Disso tenho clara evidência.

E o resto? Seria sonho? Há realidade nas coisas ao meu redor? Pra mim são bem reais. Mas será que existem de fato ou eu simplesmente os produzo? Será que não sai tudo isso da minha cabeça? Quero acreditar que não. Em primeiro lugar porque o mundo não é como eu quero e as coisas não são como eu gostaria. Se eu gerasse todas as coisas, como na hipótese considerada, geraria também essa contradição intrínseca, e teria que me culpar pelo fato das coisas não serem de acordo com o que eu desejaria. Isso geraria em mim ódio por mim mesmo, que me consumiria, aos poucos me destruiria, e ao cabo desse processo, nem eu nem as coisas existiríamos mais. Será que o universo é assim tão frágil? Tolice!

Es segundo lugar, se todas as coisas saíssem da minha cabeça, todo conhecimento, toda a beleza, toda a infinitude surpreendente do universo teria que caber entre as minhas duas orelhas! Todas as coisas ocultas me seriam reveladas por mim mesmo, no momento certo, sem que nunca houvesse falha nesse processo? Isso me parece difícil de acreditar. E não acreditar nisso é um alívio. Que bom que há coisas novas, diferentes e que me superam, nas quais eu posso encontrar alimento pra minha inteligência e pros meus desejos!

O primeiro choque é que as coisas são como são. Não dependem de mim. Se eu morrer, não acredito que o mundo como eu o conheço vá entrar em colapso e se extinguir. Vai continuar sua marcha, impassível. Eu sou só um a mais nesse emaranhado de existências que constituem a realidade.

Tenho que aceitar que as coisas são como são. Mas não significa que são estáveis e que não podem ser modificadas. Apenas, eu não tenho poder de modificá-las com minha vontade. (Fez-me lembrar o sonho zen-budista de modificar a realidade pela via da iluminação, do conhecimendo de que isso seria possível. Se assim fosse, haveria no mundo uns quantos "escolhidos" alterando a matrix... Não, não é por aqui.)

Posso apenas, modestamente, contribuir pra modificar algo na medida em que interajo com esse algo. É preciso trabalhar a realidade para mudá-la. E pra trabalhá-la, é preciso estar em contato com ela. E daqui eu tirei um pensamento interessante: a coisa que tenho mais possibilidade de mudar é aquela com a qual tenho um contato mais estreito: sou eu mesmo, no encontro de mim comigo mesmo.

sábado, junho 25, 2005

Agnosticismo

Meu amigo agnóstico, você diz que a verdade pode ser isso ou aquilo, mas acha impossível descobri-la, impossível poder saber ao certo. E eu lhe pergunto: como pode estar tão certo?
Sua única certeza é não haver mais que incertezas... Como pode estar tão certo?

Recomeço

Dor de cabeça. Levei uma pancada? Abro os olhos lentamente, tento me levantar. Olho ao redor. Tontura, mal estar, dor de cabeça. A visão turva, embaçada, aos poucos vai se acostumando com a luz. Estou confuso. Já vi isso antes em algum lugar... (Será que foi num desenho animado?) E as tais perguntas. Quem sou eu? Onde estou? Como é que eu vim parar aqui? E agora, pra onde é que eu vou? Alguém pode me ajudar?

* * *

Penso...
Gente sem resposta, essa mesma gente segue sem se perguntar. Mas a vida é isso aqui, vocês não se perguntam? Nunca suspeitaram de nada? Talvez não tenham levado uma pancada na cabeça, como eu. Não se perguntam, e não tem as respostas que eu demando. Eu venho incomodar-lhes. Dane-se! Vou descobrir.

sexta-feira, junho 24, 2005

Relacionamento humano

Por que é tão freqüente pessoas agirem na direção contrária do que gostariam? Por que magoamos aqueles a quem amamos?

O convívio estreito revela os defeitos pessoais que todos temos. E nossos defeitos, tal como nossos odores pessoais, não nos incomodam a nós próprios, mas causam incômodo nas pessoas ao nosso redor. E o incômodo será tanto maior quanto maior for essa proximidade.

Isso á assim mesmo. Conquistar uma amizade, um amor, é como pescar um grande peixe. Há momentos de dar linha, e momentos de puxar. Com paciência. Saber ceder, saber exigir.

Há que passar muita coisa por alto, mas não se pode deixar que os defeitos daqueles que amanos os consumam. Há que saber corrigir. Dar linha, e saber puxar na hora certa.

As pedras podem ser polidas pelo simples atrito umas com as outras. E o que eram pontas, asperezas e imperfeições, torna-se com o tempo uma superfície lisa e de contato agradável. Assim seja conosco. Que o convívio nos leve a ser cada dia melhores.

terça-feira, junho 21, 2005

Machos e Fêmeas

Numa conversa de boteco, o tema não demora muito a aparecer. Sem cair na vulgaridade, certa vez estava conversando com meu amigo sui generis Pierre, e apontamos algumas características e diferenças notáveis nas fêmeas de nossa espécie humana.

A primeira que ele apontou foi a falta de senso de humor. Ou a falta do que nós homens entendemos por senso de humor. É raro ver uma mulher contando pidada, por exemplo. Mas essa característica fica ainda mais evidente na reação feminina ao senso de humor masculino.

Senso de humor é inteligência, de certa forma, e sensibilidade, de outra. É muito humano. Mas parece que homens e mulheres não se entendem muito bem aqui. É constrangedor, pra começar, quando elas não entendem que a piada existe e levam tudo a sério. No entanto, o mais freqüente é que entendam muito bem a besteirada toda, e simplesmente não achem graça nehuma.

Riem muito entre elas, isso sim, mas com um senso de humor "diferente". Talvez as mulheres sejam demasiado pragmáticas e achem que não vale a pena tanta bobagem. Os humoristas profissionais, que são quase sempre todos homens (ainda que alguns sejam não praticantes), fazem piadas com senso de humor masculino, o que só aumenta a dificuldade de assimilação por parte delas.

Falta de convívio com os machos da nossa espécie? Sei não. Alguém levantou que elas amadurecem mais rápido, aos 13 anos, e nessa fase surge o preconceito de que os meninos só falam bobagem e criancices. Sabe de uma coisa? Não é verdade que elas amadureçam mais rápido que nós. Os homens chegam no auge da maturidade aos 9 anos de idade, e assim ficam pro resto da vida! Mas passemos adiante, que esse assunto não tem quase graça nenhuma.

Outra consideração antropológica viking é que nós homens só enxergamos 11 cores, com as possíveis variações claro e escuro. As mulheres possuem uma paleta de cores muito mais ampla. Senão vejamos: essas cores com nome afrescalhado, que uma voz feminina por vezes nos aponta, podem sempre ser simplificadas para o universo palpável das 11 cores básicas que nós homens podemos ver. Bege? -Marrom. Ciano? -Azul claro. Salmão? -Rosa. Marfim? -Cinza claro. Marinho? -Azul escuro. Verde! Amarelo! Laranja! Vermelho!...

Faça você mesmo (se você for homem, naturalmente) a experiência. É divertido. Parece que elas enxergam mesmo uma porção do espectro visível muito maior do que a que nós enxergamos.

E porque será que os homens só enxergam 11 cores? Pensei um pouco a respeito, e na minha ótica masculina cheguei a uma conclusão: enxergamos só 11 porque não existem outras. Apenas variações de claro e escuro...

segunda-feira, junho 20, 2005

A pena do que vale...

Coletânea de idéias pseudo-desconexas, todas muito legais...
Disse-me o Miguel que a solidão é o preço da liberdade. Porque quando decidimos, quando optamos voluntariamente, somos inteiramente responsáveis (cada um, sozinho) pelo ato em si e por suas consequências.
Fez-me lembrar a Renata Teófilo, que foi quem me chamou a atenção para aquela letra do Humberto Gessinger: "a dúvida é o preço da pureza". (Pra quem quiser ir mais além, a letra segue: "e é inútil ter certeza").
Então veio a pergunta. Será que todas coisas tem um preço? -Certamente todas as coisas têm um certo valor. E as coisas boas, quanto melhores, mais valem. E repare que tudo que é bom, tudo o que "vale a pena" custa esforço. É boa porque vale, e vale precisamente uma pena para ser conseguida. Não é assim a vida?
E então, será que as coisas fáceis não tem valor? Ou somos nós que não damos valor senão ao que nos custou um pouco de sangue, suor e lágrimas, esforço e sacrifício?
Semana passada me disse uma senhora esotérica que as coisas mais importantes que temos, recebe-mo-las de graça. E enumerava: o ar que respiramos, a luz branca do sol, a brisa e o vento, o prazer de um banho, e a própria vida. Pensando bem, ela não acrescentou nada de novo ao que escrevia Paulo de Tarso, cerca de 2000 anos antes da era que agora se proclama nova: tudo é dom, tudo é graça.
Acabo pensando que as coisas valem pelo que são, e tanto mais valem quanto melhores são (i.e. quanto mais bem contém e proporcionam). Algumas dessas coisas nós as conquistamos. Faz parte da vida divertirmo-nos correndo atrás do nosso bem... E aqueles bens muito elevados, os quais nunca teríamos tido a menor chance de conquistarmos, precisamente esses, nós recebemos de graça. É pra ficarmos agradecidos, não é?

Ocorre-me ainda outro problema. As pessoas podem errar na avaliação das coisas. Evidentemente, passamos a vida em busca do bem, todo mundo quer ser feliz... Mas também é evidente que nem todos alcançam a felicidade quando alcançam o que tanto buscaram. É um ponto delicado. Mas posso pagar um preço caro por algo que não tenha nenhum valor. Por exemplo, imagine um avaro, que perca a família e todos os amigos por amar doentiamente seu dinheiro. Podemos, portanto, deliberadamente pagar uma pena pesada sem obtermos recompensa alguma.

São complicados esses temas... É difícil achar respostas. E como ocorre em todo o campo das humanidades, ao cabo de muito estudo e reflexão, cada tese poderá ser rejeitada e rebatida por uma mera opinião, ignorante, apaixonada, preconceituosa ou simplesmente obstinada em contrariar.

sábado, junho 18, 2005

Tempo

Dizia o mestre Genuíno Sales: " O tempo não perdoa o que se faz sem ele". Dizia Fernanda Takai Fu: tempo tempo mano velho... Dizia David Gilmour: You are young and life is long and there is time to kill today... Dizia alguém que nada sustém a sua marcha inexorável... E disse algum filósofo que o tempo é a medida do movimento (da mudança, em linguagem corrente). Sempre me impressionou. Foram os primeiros versos que escrevi, e o tema me é recorrente. Transcrevo-os, sem deixar de rir lembrando do velho amigo Sávio Brito, imitando a saudosa professora de redação Vera Lúcia: "Quanta sensibilidade! Êta vida besta, meu Deus!".

Tempo

tic tac tic tac
tac tic tac tic
tic... tic... tic...
tac... tac... tac...

O tempo choca!
A vaca pasta,
O pássaro voa.
Não progrediram.
Não regrediram.
Estão apenas mais velhos!


Sabe o que penso? O recado do Gilmour é preciso: And then one day you find ten years have got behind you. No one told you when to run. You miss the starting gun. É duro. Mas é a vida.

sexta-feira, junho 17, 2005

Um começo.

Bom, tudo tem começo. Começar é fácil. Ainda mais quando não se tem vontade, apenas uma necessidade correlata. Que será? Quem sabe? Só posso inferir sobre o que é. Foi nada não, é uma espécie de diário. Intrapsicodélico, tô nem aí. Mas existe um "mas"... Preciso de carinho, de dinheiro, de oxigênio, de amigos, e de um pouco mais de originalidade. Hoje é sexta. Vou pegar a barca, vou colocar as cordas no violão, e domingo começo a gravar algo. Pensei no repertório... Algo levinho, mas com um sentido ressonante atual. E estou contente! :D Viva!