sexta-feira, março 10, 2006

Ainda os tais desejos

Sobre a postagem anterior...

O que todos realmente querem? Ser felizes. Mas a felicidade não está ao alcance da mão, é antes um caminho que se percorre de onde estamos até esse ideal.

Por que nada é mais difícil do que fazer o que realmente queremos? Porque muitas vezes somos enganados pelos nossos próprios desejos, que nos puxam pro lado errado, e o resultado frustra mais do que contenta. Nada é mais difícil do que escolher sempre o que é verdadeiramente melhor pra nós.

Este é o nosso mais profundo segredo, o qual nós próprios ignoramos.

Como descobri-lo? Percorrendo o caminho dos desejos. Pois alguma experiência é necessária para se aprender a escolher bem. É possível avaliar de alguma forma um caminho que se abre diante de nós sem ter que percorrê-lo até o fim.

Uma experiênicia, e uma avaliação: no final das contas, isso realmente valeu a pena? Isso foi realmente bom? Foi realmente bonito? Me fez mais feliz? Fez de mim uma pessoa melhor? Vale a pena entrar por esse caminho até as últimas consequências?

E o perigo? Do perigo eu falo depois.

2 comentários:

André disse...

Outra tradução.

Alguns dias depois eles tiveram outra séria conversa.

Bastian mostrou ao Leão a inscrição no verso do amuleto. "O que significa isso? FAÇA O QUE QUISER. Isso deve querer dizer que eu posso fazer qualquer coisa que me apetecer, você não acha?"

O rosto de Graograman pôs-se de repente muito sério , e seus olhos começaram a faiscar. "Não," disse ele em sua voz profunda e retumbante. "Isso quer dizer que você deve fazer sua Verdadeira Vontade. E nada é mais difícil do que isso."

"Minha verdadeira vontade?" repetiu Bastian Impressionado. O significa isso?"

"É o seu mais profundo segredo, que você não conhece."

"Como eu posso descobri-lo?"

"Seguindo o caminho dos desejos, passando de um para outro até o último. Assim será conduzido até sua Verdadeira Vontade."

"Não me parece muito difícil," opinou Bastian.

"É o mais perigoso de todos os caminhos.", disse o Leão.

"Por que?" perguntou Bastian. "Eu não tenho medo."

"Não se trata disso," ribombou a voz de Graograman. "Esse caminho exige a maior autenticidade e atenção, porque em nenhum outro é tão fácil perder-se para sempre."

"Quer dizer que os desejos que temos nem sempre são bons?" Perguntou Bastian.

O leão bateu com a calda a areia. Levantou as orelhas, franziu o focinho e seus olhos cuspiam fogo. Bastian se encolheu involuntariamente quando a voz de Graograman disse, numa voz que fez vibrar o chão: "E o que você sabe sobre os desejos? O que sabe sobre o que é bom e o que não é?"

Nos dias que se seguiram a esta conversa, Bastian pensou muito em tudo o que a Morte Multicor lhe dissera. Mas há muitas coisas que não se aprendem só pensando, é preciso vivê-las. E foi assim que só muito mais tarde, depois de ter tido a experiência vivida dessas coisas, Bastian recordou-se das palavras de Graograman e começou a compreendê-las.

Anônimo disse...

Caro colega: Além de engenheiro, professor e músico, voce pode acrescentar também filósofo e poeta. Cara voce devia ser escritor. Não comete erros de grafia, tem um texto claro e conciso e agradável de se ler. Depois da bajulada, queria te dizer que eu também trilho caminho semelhante. Fui rotulado como ateu, e pulando o rotulo de agnóstico, meu filho me disse que eu era niilista. Nem sabia o que era bem isto, e fui procurar. Achei um pouco demais, mas muitos pontos confere. Se quiser retornar meu email: serafimjoias@pop.com.br. Abraços. Antonio