Tanto Hobbes quanto Rousseau debruçaram-se sobre o mistério do mal.
Se todos queremos ser felizes, por que não juntamos forças para consegui-lo definitivamente? -Todos sabemos por experiência que isso não funciona.
A análise de Hobbes é interessante. Ele observa o egoísmo, o orgulho e a vaidade como elementos da natureza humana causadores de infelicidade (não há felicidade sem paz e segurança). Ele parte, ao que me parece, da constatação do mal no mundo. Mas me parece que ele propõe um conformismo com essa dura realidade. Em pequena escala Hobbes chega numa cumplicidade cínica. "Admitamos: no fundo, odiamo-nos."
Já Rousseau me parece ingênuo ao crer piamente no homem bom. O que acontece quando o homem se entrega a seus instintos naturais? Nesse sentido, acho que a visão de Hobbes aproxima-se mais da nossa experiência cotidiana. Parece ser mais fácil ser mau do que ser bom. Entretando, Rousseau é mais otimista quando propõe uma busca do homem perdido, da bondade original do homem.
A visão cristã-semita concilia essas idéias afirmando que o homem foi criado por Deus em estado de perfeição, de plenitude e bondade. É a doutrina do pecado original quem afirma que houve um problema: nossos ancestrais se desentenderam com Deus, e perderam de alguma forma a natureza original do ser humano, ficando inclinados ao mal (ao pecado).
A natureza original do homem é boa, porque saiu das mãos de Deus que fez tudo e "viu que era bom".
A natureza caída é a que temos hoje. Nostálgica de plenitude e de felicidade, mas inclinada ao mal.
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