segunda-feira, junho 20, 2005

A pena do que vale...

Coletânea de idéias pseudo-desconexas, todas muito legais...
Disse-me o Miguel que a solidão é o preço da liberdade. Porque quando decidimos, quando optamos voluntariamente, somos inteiramente responsáveis (cada um, sozinho) pelo ato em si e por suas consequências.
Fez-me lembrar a Renata Teófilo, que foi quem me chamou a atenção para aquela letra do Humberto Gessinger: "a dúvida é o preço da pureza". (Pra quem quiser ir mais além, a letra segue: "e é inútil ter certeza").
Então veio a pergunta. Será que todas coisas tem um preço? -Certamente todas as coisas têm um certo valor. E as coisas boas, quanto melhores, mais valem. E repare que tudo que é bom, tudo o que "vale a pena" custa esforço. É boa porque vale, e vale precisamente uma pena para ser conseguida. Não é assim a vida?
E então, será que as coisas fáceis não tem valor? Ou somos nós que não damos valor senão ao que nos custou um pouco de sangue, suor e lágrimas, esforço e sacrifício?
Semana passada me disse uma senhora esotérica que as coisas mais importantes que temos, recebe-mo-las de graça. E enumerava: o ar que respiramos, a luz branca do sol, a brisa e o vento, o prazer de um banho, e a própria vida. Pensando bem, ela não acrescentou nada de novo ao que escrevia Paulo de Tarso, cerca de 2000 anos antes da era que agora se proclama nova: tudo é dom, tudo é graça.
Acabo pensando que as coisas valem pelo que são, e tanto mais valem quanto melhores são (i.e. quanto mais bem contém e proporcionam). Algumas dessas coisas nós as conquistamos. Faz parte da vida divertirmo-nos correndo atrás do nosso bem... E aqueles bens muito elevados, os quais nunca teríamos tido a menor chance de conquistarmos, precisamente esses, nós recebemos de graça. É pra ficarmos agradecidos, não é?

Ocorre-me ainda outro problema. As pessoas podem errar na avaliação das coisas. Evidentemente, passamos a vida em busca do bem, todo mundo quer ser feliz... Mas também é evidente que nem todos alcançam a felicidade quando alcançam o que tanto buscaram. É um ponto delicado. Mas posso pagar um preço caro por algo que não tenha nenhum valor. Por exemplo, imagine um avaro, que perca a família e todos os amigos por amar doentiamente seu dinheiro. Podemos, portanto, deliberadamente pagar uma pena pesada sem obtermos recompensa alguma.

São complicados esses temas... É difícil achar respostas. E como ocorre em todo o campo das humanidades, ao cabo de muito estudo e reflexão, cada tese poderá ser rejeitada e rebatida por uma mera opinião, ignorante, apaixonada, preconceituosa ou simplesmente obstinada em contrariar.

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