Escrevi um artigo grandão sobre revolta e conformismo, que são duas formas extremas de lidar com a inadaptação do eu à realidade. Aí na hora de postar deu pau e perdi o que escrevera. Inconformado, reescrevo.
O conformismo me parece ser a aceitação cega das coisas como supostamente são, como se essas não pudessem ser modificadas.
É passividade triste e derrotada. Como escreveu Thoreau, a maioria das pessoas passa a vida num calmo desespero. Na letra de Time, Pink Floyd: "hanging on in quiet desesperation" cai melhor. É assim, que se há de fazer?
Por outro lado, a revolta consiste numa energia impetuosa orientada a atacar (não necessariamente resolvendo) uma inadequação entre a realidade e o eu, modificando uma ou ambas as partes desse binômio.
O inconformismo é portanto bom, tratando-se de uma energia transformadora, capaz de mudar o mundo e a nós mesmos.
A questão está em outro ponto. O que precisa mudar? Qual o foco do problema? -Isso é ainda mais difícil de responder, se repararmos que a revolta, não raras vezes, se faz acompanhar pela paixão da ira, cegando ou ofuscando o indivíduo. Turva-se a visão, para onde atirar?
Provavelmente, o alvo do problema não se encontra realmente polarizado, mas sim distribuído em proporções desconhecidas entre as duas partes: o eu e o "alter", eu as outras coisas. -E quão difícil é discernir! O quanto eu preciso mudar e o quanto o mundo precisaria mudar. Mais ainda: mudando a mim mesmo, quanto posso mudar do mundo ao meu redor para que se resolva essa questão?
Conhece-te a ti mesmo, alertava o oráculo de delfos. Aqui está a chave para todos os problemas pessoais. Ah, se nos conhecêssemos perfeitamente. É um sonho distante, mas que vale a pena perseguir. Por isso, a busca. Por isso, filosofia.
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